O Open Insurance vai tornar o dado do cliente portátil. Quando a informação que hoje fica presa no sistema de uma operadora ou de uma corretora passa a circular por consentimento do próprio cliente, uma trava histórica do mercado cai — e com ela, o modelo de quem retém cliente por dificuldade de sair. Estudos de mercado, como a análise do Open Insurance 2025 da Capgemini, situam o impacto real para 2027 e 2028. É tempo suficiente para se posicionar, e curto demais para ignorar.
O dado vai deixar de ser refém
Por anos, parte da retenção no seguro e na corretagem foi involuntária. O cliente ficava porque migrar dava trabalho: histórico espalhado, cadastro refeito do zero, perda de tempo e de condições. O dado era do cliente no papel, mas refém do sistema na prática.
O Open Insurance inverte isso. O cliente autoriza, o dado se move. Histórico, apólice, sinistralidade, perfil — portáveis sob consentimento. A fricção que prendia deixa de existir. E retenção que dependia de fricção deixa de ser retenção. Vira represamento com data de validade.
Aprisionamento deixa de ser estratégia
A corretora que, mesmo sem admitir, conta com a inércia do cliente para manter a carteira vai sentir primeiro. Quando trocar fica fácil, o cliente que só não saía porque dava trabalho passa a avaliar de verdade. A pergunta que ele nunca fazia — "o que eu ganho ficando?" — vira rotina.
Isso não é ameaça abstrata. É a remoção de uma muleta. A corretora que sustentava a base no atrito de saída descobre que a base nunca foi leal. Era só presa.
A vantagem migra para quem opera a relação
Dado portátil premia o oposto do cadeado: operação e relacionamento reais. Se o cliente pode levar o histórico para qualquer lugar, o que o faz ficar é o que ele recebe de quem o atende — clareza, antecipação, densidade de serviço. A vantagem migra de "quem guarda o dado" para "quem faz mais com o dado".
E aqui a corretora instrumentada larga na frente por um motivo técnico. Open Insurance é troca de dado entre sistemas. Quem já opera com fonte única de verdade — dado limpo, único, governado — está pronto para receber e enviar informação sem retrabalho. Quem opera em planilha vai descobrir que não tem o que integrar: dado disperso não conversa com ecossistema nenhum.
O que operar antes de 2027
A janela é curta e a preparação é operacional, não jurídica.
Fonte única de verdade. Cadastro, histórico e carteira em um lugar, governados, com dono e log. É o pré-requisito para participar de qualquer troca de dado por consentimento.
Consentimento como processo. Tratar autorização do cliente como fluxo registrado, não como letra miúda. Quem opera consentimento de forma limpa ganha confiança — e confiança é o que segura cliente quando sair fica fácil.
Enriquecimento, não represamento. Parar de competir por reter o dado e passar a competir por usá-lo melhor: antecipar renovação, sinalizar risco, propor a cobertura certa na hora certa. O dado que circula vale pelo que a operação faz com ele.
O fechamento
Open Insurance não é mais uma sigla regulatória para o jurídico acompanhar. É o fim da retenção por atrito. Quando o dado do cliente fica portátil, a corretora que vivia do cadeado perde a trava, e a que opera a relação ganha o cliente que agora escolhe ficar. A diferença entre as duas vai aparecer por volta de 2027. Quem vai decidir de que lado estar é a operação que se constrói agora.
